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Magalhães Lins aprovado para o Tribunal de
Contas
Um homem que começou a vida nas mais
humildes posições - foi vendedor de títulos de capitalização e fiscal de
barreira na estrada Rio-Petrópolis - e se transformou num dos nomes mais
respeitados dos meios bancários nacionais, vai iniciar nova etapa em sua vida
pública. Por expressiva maioria, a Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro
aprovou ontem a indicação de José Luiz de Magalhães Lins para conselheiro
do Tribunal de Contas do Estado.
Ele deixará a presidência do Banco do
Estado, onde estava desde o início do Governo Chagas Freitas. Tendo aceitado o
cargo com o compromisso de exercê-lo até que o Banerj atingisse sólida
situação. Magalhães Lins considerou sua missão concluída com pouco mais de
um ano de mandato: nesse período, as operações dobraram de volume - só os
depósitos à vista aumentaram em 130% - sem que para isto fosse necessário
aumentar o quadro de funcionários (que, na verdade, foi reduzido sem perda de
eficiência).
Na assembléia
Em sessão secreta conjunta, as comissões de
Normas Internas e de Constituição e Justiça aprovaram ontem à tarde a
indicação de Magalhães Lins para a vaga do conselheiro José Fontes Romero,
que se aposentou.
Logo em seguida, também em sessão secreta, o
plenário aprovou a mensagem do governador Chagas Freitas.
Carreira
No tribunal de Contas,
Magalhães Lins
seguirá os passos de seu tio, o escritor Ivan Lins, que durante muitos anos foi
ministro do Tribunal de Contas.
O novo conselheiro leva para o cargo a
experiência de uma carreira de 36 anos, que iniciou quase menino (tem hoje 51
anos) vendendo títulos de capitalização.
Inovador
Tendo ingressado no Banco Nacional de Minas
Gerais como escriturário, Magalhães Lins foi ocupando todos os postos da
carreira até gerente e, depois, assessor da Diretoria. Em pouco tempo, começou
a distinguir-se no banco, do qual se tornou diretor e grande acionista.
Como banqueiro, ele se destacou por uma
série de iniciativas inovadoras, principalmente no incentivo às atividades
artísticas e culturais. Foi assim que, entre outras medidas, estimulou o cinema
nacional, concedendo financiamentos a vários filmes e, ainda, a editoras de
livros. Sócio de José de Carvalho na "Petite Galerie", adotou o sistema de vendas a prazo,
revolucionando o mercado de artes plásticas. Embora arredio à publicidade,
tornou-se extremamente conhecido, já que sua presença estava em toda parte,
até no futebol, como conselheiro de Garrincha, além de financiar um filme
sobre a vida do ex-jogador. Também diretor da Companhia Atlântica de Seguros,
fundou a Nacional de Seguros. Eleito presidente da
Light em 1974, desligou-se da empresa seis meses depois, para, em 1975 assumir a
presidência do Banerj.
Casado com Maria do Carmo Nabuco de Magalhães
Lins, tem quatro filhos: Ana Cecília, Maria Cristiana, José Antônio e José
Luiz.
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