| |
|
Charme, simpatia, cordialidade, simplicidade ao primeiro contato. Mas, se mostra o espírito, através da agudíssima inteligência e sabedoria de duzentos anos, não mostra a alma. Esta é insondável ou indecifrável. Isso não ocorre por
dissimulação deliberada, propósito definido de ocultar as tendências profundas e a própria elaboração do pensamento ou os juízos sobre o interlocutor. Isso se dá naturalmente, pois a alma é de fato
misteriosa. A verdadeira personalidade mantém-se inapreensível, sem qualquer esforço nesse sentido. O
interlocutor depara-se com uma impenetrabilidade cordial e freqüentemente afetuosa. A sabedoria, que
se patenteia por vasto conhecimento do mundo, da vida e dos homens, adveio menos da experiência que da intuição. São marcantes o ceticismo e o pessimismo. Duvido que creia em Deus,
mas certamente não crê nos homens, isto é, no gênero humano. Mas nesse ceticismo amável,
nesse pessimismo risonho, não há nenhum azedume, nenhuma amargura, nenhum ressentimento. Por isto, é pouco propenso a surpresas ou desapontamentos. Parece que nada realmente o choca ou surpreende, pois não aguarda o melhor. Já ajudou a muita gente, mas não
espera gratidão
e talvez nem acredite nela. Está sempre pronto a ajudar os amigos que se defrontam com
reais problemas, mas não gosta de empenhar-se na defesa de pretensões pouco relevantes. Encampar qualquer pedido, não só lhe parece um desgaste
pessoal desnecessário, como envolve o risco de vê-lo recusado, o que comprometeria sua imagem de homem poderoso e influente. Valoriza,
portanto, o seu patrocínio, pois sabe que quem se dispõe a apoiar as solicitações de todos, não tem verdadeiro interesse pelo pleito de ninguém. Embora com elegância e muita discrição (como bom banqueiro que foi), cuida sempre, nas suas relações pessoais, de colocar-se na posição de credor e não na de devedor (também como
bom banqueiro que foi).
Próxima >>
|
|