José
Luiz de Magalhães Lins é, sobretudo, um homem muito inteligente. Inteligência
significa rápida compreensão dos problemas, situações e capacidade de
discernir, em cada caso, o relevante do irrelevante. É precisamente o que
ocorre com ele. Acentuem-se ainda a
perspicácia e a argúcia na avaliação dos homens. Mas essa inteligência não se confina ao campo da atividade prática e
operacional. É surpreendente
como um banqueiro, um homem que passou toda vida no mundo intrincado dos negócios
financeiros, sem ter feito curso superior, possa ter tantos e tão
diversificados interesses intelectuais e culturais. Sua curiosidade maior se concentra nos domínios da História
e da Literatura, sobre as quais lê infatigavelmente como um verdadeiro amoroso
das coisas do Espírito.
Sempre
amável, paciente, sorridente, José Luiz não revela a sua “alma” ao
interlocutor. Mas há algo que ele
não consegue ocultar: o seu ceticismo. Mas
esse ceticismo não é amargo, cruel e, sim, bem humorado, gentil, quase
afetuoso. José Luiz venceu
na vida, mas continua sendo, não só um cético, mas um pessimista risonho. Essa visão do mundo parece básica
na sua
personalidade. Traço marcante no
seu convívio é a verve. Uma verve
espontânea, não elaborada e principalmente despojada de azedume.
Ele
é muito mais orgulhoso do que vaidoso. Absolutamente refratário a confidências,
expansões afetivas, crises sentimentais, abandonos de alma, etc.
Tem um pudor psicológico que inibe tais manifestações. Também
não se concede a autopiedade. Jamais
é atraído para o coro das lamentações, dos queixumes, dos sentimentos de
culpa, das autoflagelações. Não
esconde a admiração, mas oculta a emoção.
Na
vida pessoal, gosta das suas coisas muito certas, muito definidas, muito
precisas. Negligência para ele é
o maior dos pecados. Isso quer
dizer intenso sentimento de responsabilidade.
Eis porque não é, nem pode ser, blasé,
displicente, descontraído. Ao
contrário, é um homem bem sucedido, mas freqüentemente tenso e atento a tudo.
Dá
importância a um número grande de coisas desdenhadas por muitos.
No
convívio habitual é brando, conciliador, razoável, mas, no fundo, é um
autoritário.
Não
tenho dúvida de que, estando ele à testa de uma organização de comando
vertical, avultaria nítida a sua personalidade autoritária, isto é, a de um
homem firmemente decidido a impor sua vontade. E, ferido no orgulho, pode ser
duro e intransigente.
Enfim,
tudo isso faz de José Luiz de Magalhães Lins um homem que não se
auto-ilude e a quem não é fácil iludir, pois está sempre numa vigilante posição
defensiva.