5. PERFIL

Humberto Braga 

Janeiro 2005

 

 

José Luiz de Magalhães Lins é, sobretudo, um homem muito inteligente. Inteligência significa rápida compreensão dos problemas, situações e capacidade de discernir, em cada caso, o relevante do irrelevante. É precisamente o que ocorre com ele. Acentuem-se ainda a perspicácia e a argúcia na avaliação dos homens. Mas essa inteligência não se confina ao campo da atividade prática e operacional. É surpreendente como um banqueiro, um homem que passou toda vida no mundo intrincado dos negócios financeiros, sem ter feito curso superior, possa ter tantos e tão diversificados interesses intelectuais e culturais. Sua curiosidade maior se concentra nos domínios da História e da Literatura, sobre as quais lê infatigavelmente como um verdadeiro amoroso das coisas do Espírito.

Sempre amável, paciente, sorridente, José Luiz não revela a sua “alma” ao interlocutor. Mas há algo que ele não consegue ocultar: o seu ceticismo. Mas esse ceticismo não é amargo, cruel e, sim, bem humorado, gentil, quase afetuoso. José Luiz venceu na vida, mas continua sendo, não só um cético, mas um pessimista risonho. Essa visão do mundo parece básica na sua personalidade. Traço marcante no seu convívio é a verve. Uma verve espontânea, não elaborada e principalmente despojada de azedume.

Ele é muito mais orgulhoso do que vaidoso. Absolutamente refratário a confidências, expansões afetivas, crises sentimentais, abandonos de alma, etc.

Tem um pudor psicológico que inibe tais manifestações.  Também não se concede a autopiedade. Jamais é atraído para o coro das lamentações, dos queixumes, dos sentimentos de culpa, das autoflagelações. Não esconde a admiração, mas oculta a emoção.

Na vida pessoal, gosta das suas coisas muito certas, muito definidas, muito precisas. Negligência para ele é o maior dos pecados. Isso quer dizer intenso sentimento de responsabilidade.  Eis porque não é, nem pode ser,  blasé, displicente, descontraído. Ao contrário, é um homem bem sucedido, mas freqüentemente tenso e atento a tudo.

Dá importância a um número grande de coisas desdenhadas por muitos.

No convívio habitual é brando, conciliador, razoável, mas, no fundo, é um autoritário.

Não tenho dúvida de que, estando ele à testa de uma organização de comando vertical, avultaria nítida a sua personalidade autoritária, isto é, a de um homem firmemente decidido a impor sua vontade. E, ferido no orgulho, pode ser duro e intransigente.

Enfim, tudo isso faz de José Luiz de Magalhães Lins um homem que não se auto-ilude e a quem não é fácil iludir, pois está sempre numa vigilante posição defensiva.