"...
Em
agosto, Garrincha lembrara-se de pedir ao Botafogo o dinheiro das luvas que
tinham sido acertadas em janeiro e que até então ele não fora buscar. Meses
antes, em março, o Botafogo já o avisara de que o dinheiro continuava à sua
disposição – e, mais uma vez, ele não se mexera. Um companheiro se
espantara:
“São
3 milhões de cruzeiros, Mané!”
Ele
parecia tão tranqüilo quanto desinformado:
“Ué!
Mas não está no Botafogo? Então esta em boas mãos.”
Sem duvida. Mas o equivalente a 10 mil dólares em janeiro reduzira-se para
menos de 7 mil em agosto quando ele resolveu ir pegá-los. E, naquele momento, o
Botafogo não tinha esse dinheiro em caixa – para não deixá-lo parado,
usara-o para saldar compromissos e ficara sem fundos. Garrincha achou um absurdo
que o clube pagasse os outros com o seu dinheiro. Para resolver o
problema, o Botafogo teve de pedir um empréstimo – a José Luiz de Magalhães
Lins do Banco Nacional.
Magalhães
Lins (Zé Luiz, como todos o chamavam) entrara na vida de Garrincha
pouco antes, na volta da Copa, através de seus amigos comuns Armando Nogueira,
Sandro Moreyra e Araújo Netto. Os três jornalistas achavam que, com o bi,
Garrincha e Nilton Santos iriam valorizar-se e precisavam proteger seu dinheiro.
Mais ainda Garrincha, cuja inocência no assunto parecia-lhes quase criminosa.
As histórias que ele próprio lhes contava eram de arrepiar.
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