3. TRECHOS DE LIVROS

 

 

3.7 ESTRELA SOLITÁRIA 

Um brasileiro chamado GARRINCHA

Ruy Castro 

Pág. 268 

   

"...

Em agosto, Garrincha lembrara-se de pedir ao Botafogo o dinheiro das luvas que tinham sido acertadas em janeiro e que até então ele não fora buscar. Meses antes, em março, o Botafogo já o avisara de que o dinheiro continuava à sua disposição – e, mais uma vez, ele não se mexera. Um companheiro se espantara:

“São 3 milhões de cruzeiros, Mané!”

Ele parecia tão tranqüilo quanto desinformado:

“Ué! Mas não está no Botafogo? Então esta em boas mãos.”

Sem duvida. Mas o equivalente a 10 mil dólares em janeiro reduzira-se para menos de 7 mil em agosto quando ele resolveu ir pegá-los. E, naquele momento, o Botafogo não tinha esse dinheiro em caixa – para não deixá-lo parado, usara-o para saldar compromissos e ficara sem fundos. Garrincha achou um absurdo que o clube pagasse os outros com o seu dinheiro. Para resolver o problema, o Botafogo teve de pedir um empréstimo – a José Luiz de Magalhães Lins do Banco Nacional.

Magalhães Lins (Zé Luiz, como todos o chamavam) entrara na vida de Garrincha pouco antes, na volta da Copa, através de seus amigos comuns Armando Nogueira, Sandro Moreyra e Araújo Netto. Os três jornalistas achavam que, com o bi, Garrincha e Nilton Santos iriam valorizar-se e precisavam proteger seu dinheiro. Mais ainda Garrincha, cuja inocência no assunto parecia-lhes quase criminosa. As histórias que ele próprio lhes contava eram de arrepiar.

..."

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