Conheci Sonia Lins em novembro de 2000. Dia de sol no Rio de Janeiro praia
lotada no meio da semana. Sonia recebeu-me impecável, vestida de preto, com seu
cabelo chanel e os olhos brilhantes de quem acaba de ter uma grande idéia.
Fui entrevistá-la para um livro sobre seu primo mais misterioso e intrigante, o
ex-banqueiro José Luiz de Magalhães Lins, mecenas do Cinema Novo,
incensado em crônicas de Nelson Rodrigues e em entrevistas de Glauber Rocha.
Sonia era uma das pessoas mais admiradas por José Luiz. E é difícil merecer a admiração dele.
Na época, eu tinha apenas duas informações básicas sobre ela. Sonia era irmã da
artista plástica Lygia Clark e autora de um livro tão impressionante quanto
desconhecido, intitulado Baticum.
Antes do encontro só tive tempo de passar os olhos sobre alguns capítulos. Foi o
suficiente para entender que eu iria conversar com uma escritora capaz de
transformar lembranças da infância em textos memoráveis. Uma especialista na
arte de desmontar palavras e construir parágrafos líricos e irreverentes ao mesmo ao mesmo tempo - uma combinação rara e arriscada.