4. CRÔNICAS E ARTIGOS

 

 

4.1 O GLOBO 

Nelson Rodrigues 

13 de novembro de 1963

 

“3 - ....Era o Otto Lara Resende (sempre este nome fatal). E meu caro amigo e personagem convidou-me para almoçar com o Zé Luís, no Banco Nacional de Minas Gerais. Há sujeitos que nascem, envelhecem e morrem e não têm a sorte, rara e deslumbrante, de almoçar, ao mesmo tempo com dois banqueiros. Dois!”

“4 - ... Entramos juntos, eu e o Otto, ou seja: - eu e o mito, eu e o banqueiro. Já o Otto me advertira que, desta vez, o Zé Luís premeditara um almoço suntuário. E, de fato., quando nos sentamos à mesa (ponho a crase com o maior asco), apareceu um mordomo que não tinha nada a ver com a vida real.”

“5 - ...E o meu almoço, com o Otto e o Zé Luís, foi superiormente orientado por um mordomo de filme policial inglês...”

“6 – Começamos a comer com uma voracidade total. E, de repente, na metade de um frango assado, descobrimos essa coisa linda: - eu era o menino de Aldeia Campista, o Zé Luís o menino do Engenho Nôvo e o Otto o menino de São João Del Rey....”

“7 - ...O Otto fez uma inconfidência esplêndida, com relação a certos apetites incoercíveis do Zé Luís. Certa vez o escritor o surpreendera comendo pipocas em bacias. Não resta dúvida: - o sujeito que come pipocas em bacias está salvo.”

“8 - ...Já não havia mais nada para comer. E, então o Zé Luís dá a ordem inesperada e surpreendente: - “Traz o sanduíche!” ....